02/02/2012 00:00
*por Ciro Hamen
Os meus amigos no continente acham que só porque vivo no Havaí, estou no paraíso.
Como férias permanentes.
Que só bebemos "maitais", a balançar os quadris e a pegar ondas.
Estão loucos?
Pensam que estamos imunes à vida?
Como podem pensar que as nossas famílias são menos prejudicadas?
Os nossos cânceres menos fatais.
Os nossos sofrimentos menos dolorosos.
Não ponho os pés numa prancha de surf há quinze anos.
Essas palavras, que abrem Os Descendentes, podiam muito bem estar se referindo à maneira como os paulistanos veem o estilo de vida do santista (o que nos leva logo de cara a uma identificação maior com o personagem de George Clooney). Mas não. Clooney, quando diz isso, está falando sobre os problemas pessoais de seu personagem, Matt King, herdeiro de uma bela quantidade de terra no 50.º estado norte-americano, cuja esposa está em coma profundo depois de um acidente de barco. Esse acidente traz um grande desafio: aproximar-se das filhas, mesmo não levando o menor jeito para a tarefa. Os Descendentes é o famoso "drama familiar", só que de biquinis, bermudas e papetes.
Elizabeth King, a mulher de Matt, passa o filme inteiro desacordada, mas tudo gira em torno de seu "fantasma". É curioso notar também que o primeiro take do filme é a única cena com ela viva, passeando no barco do acidente, mas ficamos sabendo o que acontece só depois. Uma maneira interessante de nos prender a um personagem que conhecemos apenas por meio das histórias que os outros contam. A sutileza do protagonista e de todos os outros em lidar com alguém que "não está lá" é a grande força do filme, dirigido por Alexander Payne. Ele, que é diretor do genial Eleição, também fez Sideways, longa que tem algumas semelhanças com Os Descendentes: drama de homem de meia idade, cenário peculiar etc.
Clooney faz um dos melhores papéis de sua carreira aqui. Só uma cena, já quase no final, na qual aparece chorando e extremamente emocional já vale o filme. Seus companheiro de tela também não deixam a desejar. A pequena Scottie (Amara Miller), que está virando uma delinquente por não saber lidar muito bem com a falta da mãe, a problemática Alex (Shailene Woodley, que também está - em pequena participação - nesse clipe maravilhoso do Best Coast), quase uma alcoólatra, como a mãe, e Sid (Nick Krause), o namoradinho de Alex, responsável por uma boa parcela das partes cômicas do filme.
Alexander Payne faz o melhor filme de sua carreira até aqui. Dosando o humor - como sabe fazer tão bem - com uma história muito séria. As imagens de Elizabeth em seu leito de morte nos remetem à famosa foto de Candy Darling, atriz transexual, conhecida como Andy Warhol superstar. Assim como Candy, Elizabeth também é dona de uma beleza incrível e parece impotente naquela cama, com as mãos soltas, coberta com lençóis e o vasinho de flores ao seu lado. Poesia e melancolia pura.
Escreva seu comentário
|Veja também
02/02/2012 00:00
Drama familiar de biquíni e sandália
30/01/2012 00:30
Sereias do Santos na tela - parte 2
26/01/2012 14:39
História clássica ganha no retrato dos EUA
23/01/2012 00:15
Sereias do Santos na tela - parte 1
20/01/2012 11:11
Estreias desta sexta-feira
19/01/2012 09:16
Dançarinas sem brilho em delírios de produtor
16/01/2012 13:05
Surfe e cinema no SESC
Roxy Pátio: 14h45 - 17h15 - 19h45 - 22h15
Cinemark: 12h40* - 15h30 - 18h10 - 20h40 - 23h15** (*somente sábado e domingo / **somente sábado)
Miramar: 13h40 - 16h10 - 18h40 - 21h10
Roxy Pátio: 14h - 19h - 21h45
Cinemark: 12h* - 15h10 - 18h20 - 21h30 (*só sábado e domingo)
Miramar: 11h* - 15h - 18h - 20h50 (*somente sábado, grátis para sócios do Clube do Professor)
Cine Roxy: 14h15 - 16h - 18h30 - 20h15 - 22h - 23h45* (*somente sexta e sábado)
Cinemark: 13h20* - 15h40 - 17h50 - 20h - 22h10 - 0h15** (*somente sábado e domingo / **somente sábado)
Brisamar: 15h - 16h45 - 18h30 - 20h15 - 22h
Cine Roxy: 15h15 - 17h15 - 21h - 23h* (*somente sexta e sábado)
Cinemark: 13h55 - 16h20 - 18h40 - 21h - 23h20* (*somente sábado)
|Mais +

|Cinemas de Santos
Roxy Pátio
Cine Arte Posto 4
Cine Roxy
Cinemark




